Gente vem antes dos trilhos, dos carros e das estações. Não haveria nenhuma estação se não houvesse gente. Nenhuma partida se não tivesse a ação humana comandando a máquina. Não haveria qualquer viagem se não houvesse quem embarcasse nesses trens. Uma equipe do Metrô-DF sairá pelos corredores, pelo pátio de manutenção, em toda sala onde uma porta estiver aberta para ouvir os funcionários e suas histórias. Todo mundo tem uma história para contar. E qualquer que seja ela será importante para nós.

O Metrô quer conhecer melhor o seu funcionário. Quer saber mais do que está no crachá. Ele é muito, muito mais do que um número de matrícula. Por isso, precisa ser ouvido com atenção. A comunicação salva. Estabelece ligação direta. Desfaz abismos. Depois de ouvidas as histórias e feitas as imagens (registros fotográficos), todo o trabalho irá se transformar em duas exposições. A que envolve os funcionários — os que trabalham no Complexo Administrativo e Operacional (CAO) — ficará exposta pelos corredores de toda a empresa.

Todo dia, ao chegar, ele se verá. Seus amigos também. Toda história é única e intransferível. E ele deixará de ser apenas um número. E talvez sinta-se verdadeiramente parte de um todo. E entenda como funciona o significado de pertencimento. A exposição em que os usuários irão virar personagens será itinerante.

Todas as 24 estações receberão o trabalho. Serão painéis com fotografias dos usuários no momento real de suas vidas. Num lugar esparramado por 42 quilômetros de via – num vaivém incessante de 24 trens que carregam aproximadamente 200 mil pessoas/dia – as histórias viajam sem parar. E a gente só quer saber, pelo menos, um pouquinho delas. Há muita história para ouvir, contar e fotografar.


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Edla Amélia Araque

“A vida é um instante”

O avô veio da Síria, na Segunda Guerra Mundial. Parou em Sergipe. E conheceu uma jovem. Casou-se. Vieram os filhos. Era o início da história desta mulher que fez da vida a sua melhor história. Edla Amélia Araque, filha de um mineiro e uma sergipana que pariu nove filhos, nasceu em Niterói, há 57 anos.

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Iurane Rodrigues de Oliveira

A luta por uma empresa de qualidade

Aos oito meses de vida, nos braços da mãe adotiva, ela desembarcou no Distrito Federal, mais precisamente em Taguatinga Sul. Lá em Barra do Corda, interior do Maranhão, os pais biológicos não tinham condições de criá-la. Eles, então, deram a menina para o casal amigo de Brasília. Mas foi feito um pacto. Nunca esconder a sua verdadeira história. 

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Solano Teodoro da Trindade

Ela quer fazer a diferença no mundo

O filho dele, Vladmir, de 6 anos, sugeriu como trabalho de escola um passeio ao Metrô. Torceu para que desse certo. A turma, entretanto, preferiu ir ao Zoológico. Ele ficou muito triste. Na verdade, queria mesmo era que todos os coleguinhas conhecessem o lugar onde o pai trabalha. 

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Antônio de Araújo Gonçalves

O gigante dos malotes

Ele é bem miudinho. Diz ter 1,56 metro.  Mas o que menos importa para esse mineirinho de Passos é o tamanho físico. Antônio de Araújo Gonçalves é um homem que, ao escrever a história, foi se agigantando. E da forma mais simples que alguém pode se tornar. Há 45 anos, ele desembarcou aqui em Brasília. 

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Geane Teixeira de Castro

Orgulho de ser metroviária

“Tia, deixa eu passar. Moro em Águas Claras, acabei de ser assaltado, me levaram tudo, até a camisa. Ficou só cartão do metrô. Além de ser assaltado, ainda peguei minha namorada com outro.”  O pedido desesperado foi feito por um rapaz de 18 anos, na Estação da 108 Sul, à supervisora de bilheteria, no carnaval deste ano. Brasília ferveu.

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Arnaldo Ferreira da Costa

A história de cor

Na frente do crachá, está escrito: engenheiro. Atrás, o número: 044-2. Hoje, é a matrícula mais antiga do Metrô-DF. Aprovado em concurso, o engenheiro Arnaldo Ferreira da Costa começou a trabalhar na empresa em março de 1997. “Ainda era Coordenadoria Especial do Metrô. Em junho, virou Companhia”, ele conta.

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Ester da Costa Soares

A copeira que sonha ver o mar

Ela nasceu em Taguatinga, no antigo Hospital São Vicente de Paula (hoje Hpap), há 48 anos. Filha de um pedreiro piauiense que aqui chegou antes mesmo da inauguração, Ester da Costa Soares sempre soube que a vida não lhe seria fácil.  “Meu pai veio ajudar na construção da nova capital. Tudo sempre foi muito difícil pra gente”, ela diz.   

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Gedson André Petri

Uma reviravolta de 180 graus

A vida dele foi meio nômade. Em razão do trabalho do pai, gaúcho, militar do Exército, de tempos em tempos morou em cidades diferentes. Nasceu em Curitiba, depois foi para Altamira, no Pará; passou um tempo em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul; seguiu para Marabá, no Pará; depois Boa Vista, em Roraima, e há alguns anos vive em Brasília.  

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Omides Alves Chianca

O homem do protocolo

O pai dele, Otílio Chianca, veio na frente. Era o início da década de 1960. Deixou a distante Jardim do Seridó, sertão do Rio Grande do Norte, para tentar uma vida melhor para a família. Lá, ficaram a mulher, Maria de Lourdes, e os seis filhos. Ele veio para a construção da antiga Companhia Telefônica de Brasília (Cotelb).

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Cláudia Cristina Barbosa Santos

A teimosia que vence desafios

A menina sempre dizia que seria professora. Nas brincadeiras com as amiguinhas, gostava de dar aula. Por razões que nem ela mesma sabe explicar, na 7ª série, depois de uma conversa com uma professora de verdade, a adolescente mudou completamente de ideia. Decidiu que seria engenheira. Só não sabia do que. 

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Alexandre Magno Ribeiro do Nascimento

O acaso que mudou uma vida

Ele havia acabado o curso técnico em mecânica. Tinha entrado para a faculdade de matemática e trabalhava como maquinista concursado na rede ferroviária de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. O pai e o avô também foram maquinistas na Central do Brasil. Ele seguia a vida normal, sem sobressaltos, na cidade pequena.

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Amanda Franklin da Silveira

Muito mais que trilhos e trens

Lembranças de infância marcaram sua vida para sempre. Os churrascos nas inaugurações das aberturas dos túneis eram uma festa. Ela se lembra desses dias como se fossem hoje. O pai, técnico em edificações, que trabalhava no Metrô, levava a família para as comemorações. E a menina de 8 anos, com a cabeça a mil, estava lá. 

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Tiago da Silva Fernandes

Um sonho de criança

Aos oito anos, ele e a irmã mais velha andaram de metrô pela primeira vez. O pai os levou para conhecer o então mais novo meio de transporte do Distrito Federal. Os passeios eram experimentais, chamados operação branca, que não pagavam passagem. Saíram da Candangolândia para um dia inesquecível.

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Nelcilene Cabral Gonçalves

“Vou ser engenheira do Metrô”

Aos 17 anos, casada, ela pariu o primeiro filho. Havia terminado o ensino médio e começava o curso Técnico em Telecomunicações, na Escola Técnica de Brasília (ETB). Mal acabou o tempo do resguardo, logo voltou aos estudos. Em seguida, conseguiu um estágio numa empresa de telecomunicações.

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Givaldo Siqueira Brandão

O fã de Pink Floyd e Bob Dylan

A invasão da IAPI, na região do Núcleo Bandeirante, foi o primeiro endereço da família, assim que todos chegaram ao Distrito Federal. Era 1960. Comerciante, o pai de Givaldo Siqueira Brandão deixou a pequena Assaí, colônia japonesa no interior do Paraná, para tentar a vida na terra que nascia no meio do Planalto Central.

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Regina Célia Couto Ribeiro Ferreira

A mulher dos olhos de lince

Nada escapa ao olhar dela. Está sempre atenta a tudo. Toda movimentação não lhe passa despercebida. Tudo é checado, controlado visto e revisto. Regina Célia Couto Ribeiro, de 43 anos, executa todo dia o seu ofício com exigência total.

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Alexandre da Cruz Santarém

Humanidade é enxergar gente

Ele passou em três concursos. O Metrô-DF o chamou primeiro, um mês antes da sua lua de mel. Era dezembro de 2005. Ele disse a si mesmo: “Enquanto não me chamam para os outros, vou ficando nesse”. Já casado, voltou de viagem, assumiu o novo emprego. Cargo: controlador de operação no Centro de Controle Operacional (CCO). 

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Saly Yamaoka Sebata

A missão de cada um

Os pais dela, ainda crianças, deixaram o Japão. A Segunda Guerra Mundial acabara. Era hora de recomeçar. Os avós materno e paterno dela, pais dessas crianças, decidiram que o Brasil seria o lugar onde criariam os seus filhos. Embarcaram num navio e levaram dois meses para aportar em São Paulo.

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Joselton Rodrigues Cavalcante

O conhecimento que liberta

Aos 18 anos, ele se despediu do pai pedreiro e da mãe dona de casa, pegou um ônibus, em Caxias, interior do Maranhão, distante 390km da capital São Luís, para Brasília. Venceu 36 horas de sacolejos. Na pequena mala, o diploma do ensino fundamental. No bolso, apenas 50 reais.

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Marcela Maia de Araújo

“Meu escritório a céu aberto”

“Pai, ela tá sozinha na cabine?”, disse o menino, espantadíssimo com aquela piloto, com cara, jeito, tamanho e sorriso de menina, que pilotava o trem onde ele havia acabado de viajar. Outro dia, uma usuária, na Estação da 102 Sul, depois que a moça teve que evacuar o trem por causa de uma pequena falha elétrica, a interpelou:  “Você é a maquinista?”

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Ubirajara Paulino dos Santos

A vontade de mudar o próprio rumo

Um dia, o pedreiro Geraldo e a auxiliar de limpeza Didielza, tão humildes quanto a própria trajetória, sem filhos, adotaram um bebê de três meses. O casal salvou o casamento em crise e, sem imaginar, mudou o rumo daquele bebê que havia acabado de chegar. Começava ali a história de menino que faria da sua vida o melhor exemplo para os quatro filhos.

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Maria de Lourdes Galvão

A guardiã das coisas alheias

O pai deixou São Paulo para se aventurar na construção da nova capital. Era 1957. Ele veio na frente. Havia uma missão: construir a Barragem do Paranoá.  Em São Paulo, ficaram mulher e os três filhos. O pai pelejava aqui. Queria que todos tivessem uma vida melhor na terra onde “jorraria leite e mel”.

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Antônio Ferreira Chaves Filho

A gratidão de uma família

Ele é miudinho – mede 1,53 – mas se tornou um gigante da vida que escolheu viver.  Técnico em mecânica, lá em Teresina, a vida lhe era calma. Vivia com a mulher e dois filhos pequenos. Torneiro mecânico, Antônio Ferreira Chaves Filho, então com 39 anos, trabalhava por conta própria na capital do Piauí.

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Divina Marques

“Tia, obrigado por me salvar naquele dia”

Ela nasceu em Inhumas, interior de Goiás. Com apenas 20 dias, a família de agricultores se mudou para Goiânia. A vida lá atrás foi de muita luta e sonhos. Aos 15 anos, ela veio estudar em Taguatinga Norte, na casa de um tio. Terminou o ensino médio. Todos os planos se acenderam. E ela vislumbrava o futuro na cidade nova.

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Diógenes Fontenele Teixeira

Vida que gira

Um dia, ele chegou em casa e o pai deu um aviso para o filho mais velho:  “Você  já é um homem, precisa trabalhar, cair no mundo, fazer alguma coisa para você e por você.  As coisas estão muito difíceis. Você pode ser frentista de posto de gasolina, balconista de mercado, o que quiser. Eu só não vou mais aceitar você só estudando”.

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Leidiane Rodrigues Nascimento

“Hoje, eu sou o que sou”

Desde menininha, em Belém, ela sabia que tudo lhe seria muito difícil. Pai vigia de carros, mãe dona de casa, cinco irmãos, as privações eram enormes. Quase tudo faltava. Menos a capacidade de sonhar e querer transformar toda aquela realidade.

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Lair Lima de Brito (Índio)

Um ferrorama no fundo de minha casa 

Quando o pai morreu, ele tinha 16 anos. Filho mais velho, coube a ele o sustento da mãe e dos outros quatro irmãos menores. A vida o esperava. Havia uma família inteira para prover. Ele arregaçou a manga e não escolheu trabalho. Virou feirante. Depois, camelô. No meio da rua, o mundo se revelou mais real do que imaginava.

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Inalba Maria Morais Galvão

O sonho da menina de Sertânia 

Lá em Sertânia, sertão de Pernambuco, distante 315km do Recife, a filha mais velha de uma professora e de um funcionário público tinha o destino traçado: também seria professora. Era o desejo da mãe. O pai fazia gosto. Mas a menina não seguiu o destino que haviam planejado para ela. Foi pro Recife, aos 17 anos.

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Cláudio Irineu da Silva

A vida o fez ator da própria história

Todo dia, de segunda a sexta-feira, ele cuida dos contratos de água, luz e gás do Metrô-DF. De olho no computador, nada pode faltar. A Divisão de Serviços de Apoio (ADSA), onde trabalha, é a responsável por toda essa operação. Fora dali, o pensamento dele voa. Pensa no novo filme em que vai atuar.

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Rodrigo da Cruz Pereira

O menino salvo pela dança

Ainda adolescente, num projeto social da escola, o menino de Samambaia viu alguém dançando. Não sabia bem o que era aquilo. Mas ficou impactado com aqueles passos de balé. “Foi o meu primeiro contato com a arte. Lembro que disse a mim mesmo: ‘Quero isso pra minha vida’. Fiquei fascinado com tudo que vi naquele dia.”

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Neomézia Melo de Jesus Silva

Da tragédia se fez vida

Era uma Feira Agropecuária, 15 de novembro, feriado na cidadezinha próxima a Manaus. Ela e a mãe embarcaram rumo à festa. Lá, todo mundo se divertiu. Hora de voltar para casa. O motorista, que havia bebido muito, cochilou. O caminhão tombou na estrada. A tragédia estava selada.

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João Gomes da Silva

De Angical para a terra de JK

A vida em Angical – cidadezinha do interior do Piauí, com 12 mil habitantes, distante 110 km de Teresina – estava traçada.  João Gomes da Silva terminaria o curso técnico em eletrotécnica, se casaria, teria filhos e, católico praticante, iria à missa todos os domingos.