Rosimeira de Souza


A irreverência tem nome: Rosimeire

“Eu gosto tanto desse metrô, que até quando tá cheio eu nem me importo. ‘Acoxadinho’ é que é bom”, diz, às gargalhadas, Rosimeire de Souza, uma mulher de sorriso honesto. E prossegue: “Eu venho trabalhar todo dia nele. Venho e volto. Adoro. Gosto mesmo é de escutar a ladainha do povo conversando nas viagens”.

Aos 51 anos, Rosimeire – filha de uma goiana e um cearense — nasceu no Núcleo Bandeirante, mas foi criada em Ceilândia. E, desde cedo, resolveu simplificar a vida. “Eu? Esquentar pra quê? A gente tem que dar importância só para o que o precisa. Tudo é muito rápido.”

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Empregada doméstica numa casa de idosos no Guará I, ela tem o muito orgulho do ofício. “Já trabalhei como auxiliar de laboratório, mas hoje sou doméstica com muito orgulho. Quem manda é a ‘precisão’. Meus patrões são muito legais. Estou com eles há quatro anos e tenho todos os meus direitos na carteira”, vibra com as conquistas.

E, para relaxar, depois de um dia de trabalho, lavando, cozinhando e limpando casa (“só não faço passar roupa”), ela ainda faz hidroginástica na Vila Olímpica de Ceilândia. “Adoooooro. Não perco de jeito nenhum.”

Nos domingo de folga, Rosimeire (separada, mãe de três filhos – “um cozinheiro, uma secretária e uma auxiliar de veterinário” — diz ela, orgulhosa das crias) se joga, com vontade, no forró ou no pagode de Ceilândia. “Vixe, menino, eu só quero saber de beijar na boca e chamar de meu amor. Eu sou feliz, vivo feliz. A vida é curta demais”, reflete, com honestidade comovente.

O trem para na Estação Feira. Rosimeire corre para embarcar. Levou na viagem duas das melhores virtudes do ser humano: o bom humor e a descomplicação. Depois que o trem partiu, a estação, sem ela, ficou bem comum. Gente do bem contamina.

 

“Eu? Esquentar pra quê?  A gente tem que dar importância só para o que precisa. Tudo é muito rápido.”
Rosimeira de Souza

 

 

 

Texto: Marcelo Abreu
Foto: Paulo Barros
Realização: Ascom/Metrô-DF


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Carla Rafael de Souza

A beleza da Vida

O lugar mais longe aonde ela chegou foi a Goiânia. Mas a moça sonha. Quer ver o mar. Quer ver uma vida maior do que o prédio em que é zeladora, no Guará I.

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Antônio de Pádua Pereira

O passeio de uma família

O passeio com toda a família foi marcado para uma tarde de quarta-feira. Ele, a mulher e os dois filhos estavam animados. Saíram de Samambaia com destino à região central de Brasília.

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Flávio Rodrigues de Souza

A bicicleta, o metrô e a dança

Há 33 anos, ele deixou o Piauí. “Com 15 anos, eu já andava no meio do mundo.” Depois de tantas andanças trabalhando como músico, decidiu que Brasília seria a cidade que chamaria de sua. 

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Ian Oliveira

Uma padaria para a mãe

Cocos, no interior da Bahia, ficou para trás. Há um ano, Ian de Oliveira, 18, desafia a terra de JK. E teve sorte. Faz três meses virou estoquista numa rede de lanchonete no Guará. 

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Rosimeira de Souza

A irreverência tem nome: Rosimeire

“Eu gosto tanto desse metrô, que até quando tá cheio eu nem me importo. ‘Acoxadinho’ é que é bom”, diz, às gargalhadas, Rosimeire de Souza, uma mulher de sorriso honesto.

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Gonçalo Aquino Cardoso

A música que alimenta a alma

Ele é miudinho, enxerga mal – sobretudo durante o dia, quando a claridade o ofusca. Ainda assim, mesmo com todas as dificuldades visuais, tornou-se gigante.

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Arlindo Francisco Caló

A peleja que deu certo

De bermudinha e camisa despojadas, ele espera o metrô na Estação Feira. São 15h45. Vai a um supermercado nas proximidades de um shopping. Ele gosta de bater perna.  

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Claudenir de Freitas Ferreira

O homem que se reinventou

O dia pra ele começa antes das 5h. E tudo sempre lhe foi com muita dificuldade. Até andar. Com suas pernas emprestadas – cadeiras ou muletas – ele se reinventa todos os dias. 

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Dimas de Jesus

A via-crúcis de Dimas de Jesus

Ele acordou cedo, bem antes das 6h. Às 7h, estava a caminho do ponto de ônibus, conduzindo a própria cadeira de rodas. De Sobradinho a Ceilândia, ela atravessaria boa parte do DF. Mas nada o desanima. 

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Betina França

Uma história de luta e sobrevivência

O carinho que ela empurra no metrô tem isopores enormes. Dentro deles, dindin cremoso e água. Ela e os dois filhos pequenos embarcaram em Ceilândia Centro. O destino é a Rodoviária do Plano Piloto. 

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Erivaldo Bernardo Silva

Em busca da cura da filha

O marceneiro Erivaldo Bernardo Silva, de 40 anos, e a dona de casa Belquiana Karen Souza Aguiar, 30, há dois meses não saem de emergências dos hospitais públicos do DF.

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Fernandes Machado Portela

Sem mais tanta peleja

Há 28 anos, Fernandes Machado Portela trabalha no mesmo lugar. Sai da quadra 403 de Samambaia Norte e chega à 204 Sul, onde é vigia de um prédio residencial. 

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Fernando Matoso

Um jeito simples de viver

São 17h45. Acaba de chegar mais um trem à Estação Arniqueiras. É hora de pico.  Vaivém sem fim. Muita gente desembarca. Fernando Matoso, mineiro de Nanuque, 51 anos, é um deles.

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Flávia Suares da Silva

“Parte do melhor que sou”

Ela adora o dia de folga. É quando cruza, literalmente, o Distrito Federal. Sai de Planaltina, onde mora atualmente, e chega a Ceilândia, onde vai encontrar amigos e passar o dia.

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Irani Bispo dos Santos

A valentia como marca

Ela criou os três filhos sozinha. Foi pai e mãe. A vida inteira lutou por conta própria. Os filhos cresceram. Hoje, estão com 28, 27 e 22 anos. E desempregado.

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José Antônio Ribeiro Santos

O sobe e desce de José Antônio

São Benedito, no interior do Ceará, ficou muito longe daqui. Mas ele decidiu, há 21 anos, que tentaria uma vida melhor em Brasília. Deixou a família e veio.  

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José Donizete de Oliveira

Nem a escuridão o privou de amar

O amor está sempre no ar. Ele tem certeza disso. E se veste para encontrar o amor. O baiano José Donizete de Oliveira, de 58 anos, está apaixonado. E, de tão apaixonado, capricha no visual. 

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José William Souto da Silva

Um concurso no meio do caminho

Ele anda sempre de gravata. Tem que estar assim. Vigilante do Ministério da Cultura e do Meio Ambiente, recebe autoridades todos os dias. O acessório, portanto, é peça indispensável.

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Júlio César Gomes Pereira

Presença de pai

Ele precisa resolver coisas no Guará. Deixou o carro no centro de Taguatinga e seguiu de metrô. Júlio César Gomes Pereira, de 33 anos, aprendeu a otimizar o tempo.

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Laudilene de Oliveira

Liberdade longe de quatro rodas

O pai dela, bancário, morou em alguns lugares em razão das transferências da instituição em que trabalhava. E foi numa dessas mudanças, em Garibaldi (RS), que ela – filha de um baiano e uma potiguar – nasceu.

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Marcos Fernandes

A paixão pela história

O trem segue para Estação Central. São 14h30. Dentro, do lado da janela, um garoto lê um livro de história medieval. Ele só tem atenção para o que seus olhos veem. O trem corre. 

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Maria do Carmo Ribeiro Lima

A protetora da família

Maria do Carmo Ribeiro Lima mora em Brasília há 16 anos. Deixou Sucupira do Norte, nos confins do Maranhão, para “arrumar” uma vida melhor por aqui. 

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Maria de Lourdes Marques Sousa

Alegria de viver

Ela é alegria em pessoa. Aos 72 anos, a cabeça está sempre aberta para o novo. Maria de Lourdes Marques Sousa, cearense de Sobral, desbravou o Planalto Central na década de 1960.

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Marinês Soares de Oliveira

A babá que transformou a vida

Na manhã de uma segunda-feira, ela fazia pesquisas no seu notebook. Estava na Estação Central (Rodoviária do Plano Piloto). Aproveitava o WiFi do Metrô para fazer mais um trabalho da faculdade de Pedagogia.

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Rogéria Maria de Souza

Uma casa para Rogéria

São 16h. Ela trabalhou desde o começo da manhã. Está cansada. E tudo que precisa é chegar em casa, no Guará. Na Estação Central de Ceilândia, ela espera o trem, que seguirá no contrafluxo.

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Sara de Lucena

Por uma vida melhor

São 11h. Ela está em cima da hora. Apressada, chega à Estação de Ceilândia Centro. Até a Estação Galeria, no Setor Comercial Sul, haverá um longo caminho.

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Silvânia Rosa Nascimento

Um novo começo

Os três filhos e os quatro netos já estavam em Brasília. Vieram atrás de melhores oportunidades. Ela e o marido ficaram em São Luís. Lá, ele era bancário.  

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Valdirene Portela

Essa gente bonita, elegante e sincera…

O nome dela é Valdirene Portela, mas pede apenas que a chame de Val.  É elegante, antenada em moda, tendências e decoração. “Gosto de tudo que é bom e chique. Nasci pra isso”, ela diz, com um sorriso escancarado.

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Yasmin Cristina de Oliveira Martins

Leite que sacia a vida

A Estação de Águas Claras está lotada. É perto das 17h, começo da hora de pico. Os trens que vêm do Plano Piloto, com destino a Ceilândia ou Samambaia, passam cheios. Mas ela está lá. 

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Eduardo Martins

Os sonhos incansáveis de Eduardo

Sem o Metrô, a vida de Eduardo Martins, de 42 anos, ficaria bem mais difícil. Ele sentiu isso nos 73 dias em que o sistema entrou em greve. Ele mora em Águas Claras e trabalha no Superior Tribunal de Justiça (STJ).