A luz da inclusão

A luz da inclusão
06 out 2015

Jovens do projeto ‘Positivo na Lata’ embarcam nos trens do Metrô-DF para fotografar a vida além do que os olhos veem 

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

É mais que um retrato. É vida revelada. E modificada por um vírus que decidiu impor limites, segregar, apagar a luz. Mas eles decidiram viver. Todos os dias confirmam isso. E agora veio a melhor revelação: a de que podem ir mais longe. Não haverá limites para as fotos nem para o sonho. E, como catarse,  acenderam todas as luzes que viram no meio do caminho. A vida, enfim, saiu da escuridão.

É assim que o Projeto Positivo na Lata incentiva crianças e jovens soropositivas — ou filhos de pessoas soropositivas – a se perceberem diante da vida. O projeto, que ocorre simultaneamente em Brasília, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, vai capacitar cerca de 90 jovens para o ofício da fotografia.

Em Brasília, parte dos espaços que está incentivando a criatividade fotográfica são os trens do metrô, as estações e suas dependências. Todo esse material, coordenado pelo Instituto Bogéa de Educação, Esporte e Música (IBEM), com apoio da Caixa Seguradora, vai virar uma grande exposição, em 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, no Museu Nacional da República.

No dia 2, parte da exposição “Arquitetura do cerrado” chegará à Estação Central (Rodoviária do Plano Piloto). Ali, os usuários poderão ver cenas de lugares por onde passam todos os dias. Vão se reconhecer e se perceber melhor. Vão virar protagonistas de cenas reais. Cenas de um cotidiano que conhecem bem.

Nesta segunda (5/09), o Instituto Bogéa juntou jovens daqui de Brasília e mais dois trazidos do Rio de Janeiro para uma tarde de fotografias. Mais do que tirar retratos, eles falaram de inclusão, possibilidades, quebra de preconceito e vida.

A aventura começou na Estação Central. Ali, depois de um ensaio pelas dependências da estação, foi hora de embarcar no trem, com destino à Praça do Relógio. A viagem – recheada de emoção – estava apenas começando

Na cabine
A carioca Rafaela Queiroz, de 24 anos, estava empolgadíssima com a experiência. Pela segunda vez na cidade, a estudante de psicologia e moradora do subúrbio de Osvaldo Cruz, na Zona Norte, a moça se encantou mais uma vez. “É tudo muito amplo, muito claro. Tem muita luz”, disse, comovida.

Wallace de Andrade, de 27 anos, morador da Baixada Fluminense e voluntário da Rede Jovem Rio +, veio à capital federal pela primeira vez. “É muito diferente de tudo que já vi” E não perdeu um só momento para fotografar. Em cada estação, uma novidade. Ao se aproximar de Águas Claras, os olhos dos jovens do Rio se arregalaram. “Muito diferente do Plano Piloto”, observou Rafaela. “Parece mesmo outra cidade. Lembra até a Barra da Tijuca”, comparou Wallace.

Mas a maior experiência dos jovens do Rio de Janeiro foi viajar na cabine com a piloto que, naquele momento, conduzia o trem. “Foi uma experiência única. A gente vinha no túnel, tudo escuro, aí, do nada, surgiu um clarão. Foi muito legal”, contou Wallace.
Rafaela ficou maravilhada: “De repente, quando saímos do túnel, tudo ficou mais amplo. Uma mudança de 180 graus. Lá no Rio, o metrô é todo no túnel”.

Contra o preconceito
Beth Bogéa, de 37 anos, coordenadora geral do projeto, avaliou a importância do evento: “É uma forma de incluir pessoas que, mesmo dentro, continuam fora da sociedade. É inacreditável que ainda exista tanto preconceito”.

Randal Andrade, de 42 anos, coordenador de fotografia, analisou as oficinas e o contato dos jovens de Brasília com os do Rio. “A gente os trouxe aqui para mostrar que é possível fazer alguma  coisa a partir desse curso. E que todos têm potencial. Podem viver da fotografia. E o mais positivo: não precisam se esconder de ninguém”.

No meio da Praça do Relógio, no vaivém de gente e histórias únicas, Daniel Pereira, de 17 anos, morador do Lago Oeste, era só contentamento. “Eu fico me gabando com as fotos que faço”, disse, olhando para o velho relógio que enfeita a praça e orgulhoso das fotos que os seus olhos viram.

Na volta à Estação Central, os jovens de Brasília e do Rio, maravilhados com tudo que produziram durante a tarde, tiveram uma certeza: a vida será sempre maior do que o preconceito. Rafaela e Wallace, que travam essa luta diária, não têm dúvida disso.

Positivo na Lata
No projeto, a palavra ‘Positivo’ faz referência à pessoa soropositiva e a um olhar fotográfico otimista diante da vida. Na Lata, de acordo com o projeto, faz uma alusão a um experimento comum no início do aprendizado das técnicas fotográficas, também conhecido como “fotolata”.

Confira a galeria de fotos
Positivo na Lata
 

 

Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
Assessoria de Comunicação
Telefones: (61) 3353-7077 // 9285-7346

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