Trinta histórias no meio do caminho

Trinta histórias no meio do caminho
22 set 2015

Exposição Retratos do Metrô chega à Estação Central e provoca uma enxurrada de emoções nas pessoas que por ali passam  

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Foto: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

No vaivém sem fim de gente, no meio do caminho, foi montada a exposição Retratos do Metrô. É ali, na Estação Central, a mais movimentada de Brasília, que as 30 histórias se misturam com as histórias de milhares de pessoas que por ali embarcam e desembarcam todos os dias.

O que nivela as pessoas como iguais são as histórias que vivem, as alegrias e tristezas que compartilham e o desejo de transformar a realidade. O que nivela o ser humano é, em suma, a sua humanidade. Talvez por isso a exposição – que conta a vida, os dramas, os sonhos e as conquistas de 30 funcionários do Metrô-DF – tenha despertando tanta afinidade e cumplicidade com as pessoas que por ali circulam.

Na manhã de hoje (22), o que era uma impressão se tornou  certeza. De mansinho, as pessoas paravam, liam um pouco de cada história e se demoravam naquelas com as quais o texto e a foto no painel traduzia, sem querer, um pouco da sua própria história. Toda história acaba, de uma forma ou de outra, sendo reflexo de nós mesmos.

Foi assim com Dalva de Jesus Moreira, de 56 anos, agente administrativa do Ministério das Comunicações. Moradora de Águas Claras, ela pega o metrô todos os dias e desembarca na Estação Central. Hoje, com faz sempre, fez tudo igual. Mas, no meio do caminho, havia uma exposição.

Andando sem pressa, Dalva parou, leu o que lhe interessou e se deteve na história de Maria de Lourdes Galvão, de 62 anos, supervisora do serviço de Achados e Perdidos do Metrô-DF. Apaixonada pelo que faz, Lourdes diz, no texto exposto na exposição, que só deixará a empresa quando completar 70 anos, “na expulsadeira”.

Dalva achou interessante a determinação de Lourdes. “A gente também vive a mesma história. Eu me identifiquei muito com o pensamento dela. Gosto de trabalhar e só vou me aposentar quando completar 70 anos”, garante.

Neto na UTI
E tem gente que nem pegou o metrô, mas passou por ali para “distrair o pensamento”. O goiano Celso de Oliveira Miguel, de 67 anos, acompanha o neto, que está internado na UTI do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) há um mês. “Ele tá com problema no pulmão”, conta.

Celso saiu da Asa Norte e foi à Rodoviária do Plano Piloto. Esbarrou na exposição. E, de mansinho, foi descobrindo as histórias. “Eu admiro muito quem tem o que contar da vida. Vi o Metrô ser feito desde o começo, com o Roriz.”

A jornalista Ana Maria Sousa, de 56 anos, quase nunca anda de metrô. Mas saiu de casa, na 311 Sul, pegou o trem, desceu na Estação Central e foi conferir as histórias de Retratos do Metrô. Ana se encantou com a coragem da agente de estação Divina Marques. A funcionária do Metrô começou a observar o comportamento entristecido de um adolescente que, todo dia, saía da escola e pegava o trem na Estação Asa Sul.

E, por observá-lo atentamente, ajudou-o no momento mais delicado de sua vida. “Essa história serviu para mostrar a importância do olhar atento, do olhar com verdade. Ela olhou e o enxergou. Isso fez toda a diferença”, reflete a jornalista, emocionada com a história que acabara de ler.

Aprendizado
Os olhares curiosos para a exposição não cessam. O paulista José Carlos Alves, de 72 anos, conta que, nos anos 1970, trabalhou no Metrô de São Paulo. Hoje morador de Arniqueiras e aposentado, José se encantou com a história de Ester Costa, de 48 anos, auxiliar de serviços gerais.

O sonho dela, que nasceu em Brasília e daqui nunca saiu (o lugar mais longe aonde chegou foi a Pirenópolis), é conhecer o mar. Depois de ler toda a história da copeira, ele decretou: “Vai aparecer alguém pra dar essa passagem pra ela”.

E assim, sozinhos ou em grupos, as pessoas que por ali passam demoram-se por um tempo diante das histórias que mais lhes interessam. Depois, seguem aos seus destinos com alguma reflexão.

O aposentado Sebastião de Sampaio, piauiense de 68 anos e morador do Guará, leu um bocadinho de cada uma das 30 histórias. Depois, meio surpreso por ser abordado, confessou: “Eu gosto de ler sobre a vida do outro. A gente sempre aprende com as experiências alheias”.

No meio do caminho, pode haver, quase sempre, uma boa história.

Serviço
A exposição Retratos do Metrô fica na Estação Central até 5/10/2015

 

Confira a nossa galeria de fotos da exposição:

 

Exposição Retratos do Metrô

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