Idas e Vindas: Sobre gente e sonhos

Idas e Vindas: Sobre gente e sonhos
22 fev 2017

Exposição no Metrô-DF retrata histórias de 30 dos 170 mil usuários/dia. Estações Central, Guará e Ceilândia Centro receberam painéis com fotos e texto

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Foto: Paulo Barros/Ascom Metrô-DF

(Brasília, 22/02/2017) – A pergunta que se faz é: pra que serve o Metrô, afinal? Pra transportar gente, pra facilitar a vida de gente, pra ajudar a resolver vida de gente. Diariamente, 170 mil dessas tantas gentes entram e saem pelas 24 estações. Um ir e vir frenético. Ao logo de 90 dias, reportagem do Metrô-DF descobriu histórias de usuários em um vaivém incessante. A empresa escolheu 30 delas, mas o suficiente para traçar um perfil de quem, todos os dias, embarca e desembarca nos seus trens. São histórias de vida, luta e um punhado de alguma esperança.

Mais do que simples viagens, embarcam 170 mil sonhos, possibilidades, planos, esperanças. E foi isso que o Metrô-DF, pela primeira vez, quis saber: quem é esse tanto de gente que ele carrega todos os dias. Pra onde essas pessoas vão? De onde vêm? O que pensam? Onde vivem?

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Durante três meses, uma equipe embarcou nesses trens, em diferentes horários e sentidos, para conhecer as pessoas que justificam a existência do Metrô e para quem, efetivamente, é a essência do seu trabalho. A ideia era ouvir um pouco dessas anônimas histórias.

O que era apenas uma ideia transformou-se em belos e concretos depoimentos de uma gente que, acima de tudo, representa o que há de melhor na humanidade: o ser humano real. Parece óbvio?  Mas não é. Só por isso, ouvir cada uma dessas histórias, no sacolejo do trem, já teria valido a pena.

Com a história do baiano Arlindo Caló, que, aos 80 anos, ainda sonha em viajar muito e atravessar o oceano mundo afora. A luta comovente de Marinês Soares Flávia, que, durante o dia, é babá de uniforme em casa de gente abastada, na Asa Sul. À noite, termina o curso superior de pedagogia. É a primeira pessoa de uma família de agricultores de Minas a ir tão longe. “Meu pai chora de felicidade”, ele conta. Na Estação Central, Marinês aproveita o WiFi e as horas de folga para repassar as matérias e os trabalhos do dia.

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A determinação e persistência de Aquino Cardoso, o “Sivuquinha do Cerrado”. Com a sua sanfona encantada, ele faz da música poesia. Enquanto viaja no trem, a cabeça só pensa em deslizar os seus dedos mágicos. Ele sabe que, assim, faz um monte de gente feliz.

E a comovente saga de José Donizete de Oliveira. Aposentado, cego de nascença, recém-casado, ele vai todas as manhãs, e no fim de tarde, à estação de Samambaia Sul. É o compromisso de um homem apaixonado. José vai buscar a mulher, que também é cega. E os dois, juntos, seguem para casa. Um se ampara no braço do outro, caminhando lentamente. “Ela me fez melhor. Eu sou os olhos dela. Ela, os meus”, ele diz, embevecido pelo amor da mulher de quem nunca viu o rosto.

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Pensando bem, os trens que cortam todos os dias os trilhos do DF vêm abarrotados de sonhos. Viagem melhor não pode haver. Sonhos movem até o duro concreto dos túneis.

Serviço:
Sobre Idas e Vindas
Local: Estações Central (Rodoviária do Plano Piloto), Guará e Ceilândia Centro
Para acessar as histórias: http://www.metro.df.gov.br/sobre-idas-e-vindas/

 

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