Há de haver magia nas pequenas e verdadeiras coisas

Há de haver magia nas pequenas e verdadeiras coisas
14 dez 2016

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Alexandre Castro/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 14/12/2016) — A miudinha linda da Cristal, de apenas 2 anos, bateu pé. Pediu pra mãe parar o carrinho. Quis ouvir aquela gente cantar canções de Natal. Ela gosta de Papai Noel e sempre pede para ir à casa dele. A mãe, a dona de casa Daniela de Melo, de 35 anos, obedeceu. “É bom que ela se encante agora, enquanto pode. Depois a vida fica mais difícil”, refletiu a mãe. E Cristal ouviu. E se encantou com a música. Foi complicado levá-la para pegar o trem na Estação Praça Relógio. E foi assim, espelhando emoção de gente de todas as idades, que o Coral do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) fez a sua inédita apresentação nos trilhos do Metrô-DF, na manhã desta quarta-feira (14/12).

Pontualmente às 9h, eles chegaram à Estação Galeria. Cantaram lá, no meio do desembarque sempre lotado a essa hora. E as pessoas se surpreenderam. Algumas, mesmo apressadas, pararam para ouvir, fazer uma foto ou filmar. O coral, formado por 15 pessoas, é regido pelo maestro Eduardo Carvalho, que há 40 anos fez da música sua dedicação e há cinco rege o grupo do Ipea.

E deram um show. O maestro compílou um pot-pourri com 14 músicas, as bem conhecidas e tocadas em época natalina. E, por onde passaram, encantaram as pessoas. Dentro e fora dos trens. “As pessoas estão muito carentes, precisam de alguma atenção. Poder levar música a elas nos gratifica”, refletiu o maestro.

O Coral do Ipea faz parte de Projeto Qualidade de Vida do órgão e foi criado em 2009. “Seguimos o mesmo modelo do Coral da Unicamp. Nesses últimos anos, já passaram vários coralistas. É formado por doutores, mestres, aposentados e servidores terceirizados”, explicou Sidrach Dantas de Oliveira, responsável pelo Qualidade de Vida do Ipea.  Eles cantam em hospitais, no Hemocentro de Brasília e são voluntários sempre que solicitados. “Queremos cantar no Metrô-DF sempre que formos convidados”, disse Oliveira.

Missão cumprida

De galeria, o Coral, carregando teclado, pandeiro e triângulo, seguiu para a Estação Central (Rodoviária do Plano Piloto). E lá, mais música e encantamento. Gente apressada deu um tempo para ouvir pelo menos uma música. Da Central, hora de seguir para a Estação ParkShopping, onde empolgaram os usuários

O pianista do Coral Thales Silva, 33, mestre em Música, explicou todo aquele trabalho: “As pessoas se superam quando estão no Coral. A música exerce uma influência positiva em cada uma delas. Algumas só se encontram nos ensaios e isso as aproxima mais”.

Mas chegou a hora de partir. Destino Praça do Relógio. A última viagem da manhã. Dentro do trem, o espanto dos passageiros diante de tanta gente de gorro de Noel, teclado e muita alegria. Olhares desconfiados. Mas logo a compreensão. E o entendimento ao som das primeiras notas. A música – quando é boa – sempre salva e torna tudo mais claro.

A cozinheira Michele Rocha, de 32 anos, o vigilante Josélio Ferreira, 33, marido de Michele, e o filho do casal Michel Lucas, 3, não desgrudaram olhos daquela gente e ouvidos da música. “Eu adoro ouvir música de coral, ainda mais nessa época do ano. Ajuda a diminuir o estresse”, disse a cozinheira.

Na Praça do Relógio, mais emoção. Gente de todas as idades parou para ouvir coisas como “Este ano, quero paz no meu coração, quem quiser ter um amigo que me dê a mão. O tempo passa e com ele caminhamos todos juntos…”

A encantadora Cristal se encantou. Fez a mãe dar um tempo na pressa. Por essa cena – da menininha de 2 anos assistindo a tudo – já teria valido toda a viagem do coral pelos trilhos do Metrô. E por todas as outras viagens que poderão acontecer.

Existem coisas na vida, gestos pequenos, bem solitários, que valem por um Maracanã inteiro de gente. Cristal, dentro do seu carrinho, provou isso. Missão cumprida.

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