Viagens de encantamento

Viagens de encantamento
13 dez 2016

Coral Metroviário levou poesia e emoção para quatro estações, na tarde desta segunda-feira (12). A vida podia ser sempre assim: uma canção de Natal

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 13/12/2016) – Do lado de fora, perto da janela da sala dos pilotos, eles soltaram a voz.  O povo que embarcou e desembarcou foi surpreendido pela música. Uns, mesmo na pressa de suas vidas corridas, pararam pra ver, fotografar. Alguns apenas ouviram. E viajaram, sem pegar trem algum.

A menininha Flávia Rayane, de 7 anos, que voltava da escola com a mãe, parou. E sentou-se no chão, encostada a uma pilastra. Ouviu todas as músicas. “Foi ela quem me pediu para parar”, contou a mãe, a servidora pública Viviane Aparício Maia, de 37 anos.  E prosseguiu: “Ela adora música”.

Assim, de surpresa e cheio de encantamento, o Coral dos Metroviários-DF invadiu a Estação Águas Claras, na tarde desta segunda-feira (12/12, com canções natalinas. A emoção tomou conta do local. Por instantes, a doméstica Gláucia Paes Landim, de 32 anos, atrasou o seu embarque para o Recanto das Emas. “Isso me emociona. Vou voltar pra casa mais leve.”

A auxiliar de serviços gerais da estação, Francisca Salgueiro, 54, também esqueceu o serviço por alguns minutos e arregalou os olhos. Maranhense e Bacabal, Francisca também “viajou” para sua cidade natal. “Me lembrei da minha infância, quando a gente escutava essas canções”.

As canções despertaram reações diferentes nas pessoas. Seja qual tenha causado, ninguém passou por ali indiferente. Mas foi hora de seguir viagem. E lá se foi o grupo – composto por 15 pessoas, uma zabumba, um teclado e guizos de natal – embarcar naquele trem com destino final ao Terminal Ceilândia.

Mas, antes do final, foi preciso parar em algumas estações. A primeira foi Relógio. Dentro do trem, as pessoas ficaram surpresas com a invasão da música. E reagiram cantando junto.

Sentadinha no banco ao fundo do carro, balaçando os pezinhos, Juracy de Paula Rios, de 78 anos, era só animação. Ela saiu do Guará com destino a Relógio. “Eu adoro ouvir coral de Natal. Mas só fico triste porque alguns podem tudo; e outros, nada”, refletiu.

Em Relógio, o grupo desembarcou. O menino de skate parou para ouvir. A diarista Silvia Lopes Santos, de 50 anos, cinco filhos, baiana de Jaborandi, esperava o marido, porteiro, que vinha de Unaí (MG).  “Ele foi atrás de emprego. Aqui tá muito ruim pra gente. Lá talvez ele tenha mais sorte.”

Enquanto o marido não desembarcava, encostada a uma coluna, Silvia se permitiu ouvir as canções natalinas. “Eu acho lindo. As pessoas pensam que Natal é só dá presente. É a família toda reunida. Apesar da vida ser difícil, a gente tá junto”, comemora.

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O salgadeiro José Francisco Sousa, 35, de Buriti Lopes, no Piauí, acompanhou a emoção da diarista. “Me faz recordar minha terra. Minha mãe.” O moço limpou os olhos.

“Orgasmos musicais”
Hora de embarcar mais uma vez. Agora, para Ceilândia Centro. Wilzy Carioca, 58 anos, a regente do Coral Metroviários, era só alegria. “Comecei no Coral do Sesi, para jovens aprendizes. Sou fruto e hoje funcionária desse processo”.

Entre uma música e outra, Wilzy resumiu por que desenvolve esse trabalho: ”Gosto de ajudar na transformação do potencial do ser humano, para que ele se expresse pelo canto”. E, completa e emocionadamente pelo resultado que tem conseguido, pela reação das pessoas nas estações, ela disse: “Tenho orgasmos musicais múltiplos”.

José Honório Neto, 29, um dos participantes, depois de soltar muito a voz, resumiu: “É a importância do trabalho de cada um para a mesma unicidade. É um sentimento de confiança”. Cláudia Alícia Echavarria, 52, colega de Honório no coral, repleta de felicidade, emendou: “É maravilhoso. Quando entrei para o coral, disse que não tinha voz, mas, mesmo assim, eles me aceitaram. É a minha primeira vez em púbico”.

“Uma coisa boa por dentro”
No trem, com destino a Ceilândia Centro, mais cantoria. Mais aplausos. Mais surpresa de quem entrou e saiu dos carros. A doméstica Cleuzenir Lopes, potiguar de 40 anos, ao entrar e ouvir a música, abriu um sorriso honesto. “Meu marido e meu filho cantam no coral da igreja. Acho muito bonito. Quando vejo um (coral) reunido, eu sempre me emociono e paro pra escutar”.

E, finalmente, a última parada: Terminal Ceilândia. E o coral entoa: “Quando o Natal chegar, bater à porta, convide pra entrar. Faça acender a luz que nasce a cada dia…”  O vigilante Paulo Eduardo Pinho Costa, paraense de 50 anos, embarcava para o trabalho. Veio de bicicleta. Arrastando-a, parou e escutou a música. “Desde menino, eu sempre gostei de ouvir música de Natal. Me dá uma coisa boa por dentro.”

Paulo Eduardo ouviu todas as músicas, encostado à sua bicicleta. E foi embora, sereno, talvez lembrando sua infância em Belém e quando ainda acreditava em Papai Noel. Pronto para enfrentar mais uma tarde/noite de trabalho.

Então, é Natal. Vale a magia. O sonho. Ate acreditar, dentro de uma estação do Metrô, que se é criança novamente.

Confira a galeria de fotos e vídeos do Coral dos Metroviários-DF

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