Que as diferenças sejam apenas detalhes

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21 set 2016

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi comemorado nesta quarta (21), na Estação Cidadania, com histórias recheadas de belos exemplos de superação. A ação contou com o apoio do Metrô-DF, por meio do Programa Metrô Solidário

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 19/09/2016) - As crianças chegaram espevitadas. A viagem de metrô, mesmo  bem rapidinha, arregalou os olhos delas. Algumas andaram de trem pela primeira vez. E não importou o tempo que durou. Importou a intensidade da emoção que cada uma sentiu. Como deveriam ser todas as coisas. As que realmente valem a pena.

E, pontualmente, às 9h40, os 29 alunos da Escola Classe 416 Sul desembarcaram na Estação Cidadania, na 112 Sul. Chegaram acompanhados, desde a viagem, de Charles Chaplin, o fiel condutor, amigo de todo mundo que precisa.

Os alunos se sentaram e assistiram a uma pequena palestra (na verdade um bate-papo) sobre inclusão, luta contra o preconceito e superação. Criança não tem paciência para ouvir palestras. Nem deve.

Novamente de olhos arregalados, as crianças – de 7 a 10 anos – viram e ouviram aquele homem em pé diante delas, mesmo sem uma perna, falar de vida e de volta por cima. De conquistas e medalhas. De superação. Cláudio Ireneu da Silva, de 48 anos, empregado do Metrô, atleta paralímpico e quatro vezes campeão mundial em futebol para amputados, contou um pouco a sua história, como perdeu a perna aos 21 anos, depois de uma partida de futebol, e a revolução que fez na própria vida depois disso.

Ele mostrou a tocha paralímpica, que carregou aqui em Brasília, na passagem pela cidade, antes da abertura dos jogos, no Rio de Janeiro.  “Eventos como os Jogos Paralímpicos servem para dar maior visibilidade à luta contra o preconceito com as pessoas com deficiência”, disse.

A criançada vibrou. E teve a certeza de que gente pode se reinventar e iluminar tudo. Até o rosto de quem está começando a viver e ainda entende pouco das reviravoltas da vida.

Assim, com histórias recheadas de renascimento e superação, o Metrô-DF comemorou, nesta quarta (21), o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A Estação Cidadania abriu as portas para as crianças da escola inclusiva. Meninos e meninas moradores da Asa Sul, Vila Telebrasília, Valparaíso, Recanto das Emas e Santa Maria.

E não havia lugar melhor para celebrar esse dia que não a Estação Cidadania, na 112 Sul. Totalmente acessível, o lugar oferece serviços de passe livre (parceria com o DFTrans), central de interpretação de Libras, central de apoio ao cego, agência do trabalhador e balcão de empregos e cadastramento junto à Codhab (exclusivamente para pessoas com deficiência).

O evento foi promovido pelo Metrô-DF, por meio do Programa Metrô Solidário, em parceria com o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coddede-DF) e a Promoção de Diretos das Pessoas Deficiência (Promodef), órgãos ligados à Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh).

Preconceito
Marcelo Dourado, presidente do Metrô-DF, participou do evento na Estação Cidadania. E disse às crianças: “A deficiência tá na cabeça de cada um de nós. Precisamos lutar contra o preconceito que existe dentro da gente”. E citou exemplos bem palpáveis para aqueles ouvidos atentos, como o respeito às vagas de carros para deficientes. “É preciso haver tolerância”, lembrou.

Depois foi a vez de Carlos Alberto Gonçalves, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Codddede), falar sobre superação. Numa cadeira de rodas adaptada para o basquete, ela encenou como se joga. A criançada foi à loucura. E fez perguntas. E entendeu, à maneira de cada uma, da forma como ainda entendem de vida, que tudo pode ser reinventado.

“O que ela é”
O atleta de rugby paralímpico, José Higino, também falou sobre a sua participação nas Olimpíadas do Rio 2016. E contou como as partidas são disputadas. Para a alegria geral, a grande revelação da manhã. Cláudio Irineu disse, em primeira mão, que deixará o vôlei sentado para se dedicar ao tiro com arco. O objetivo são as Paralímpiadas do Japão. “Vou me esforçar bastante”, garantiu. E brincou: “Aí, quando eu tiver 104 anos, vou começar com a bocha”, brincou.

A criançada aproveitou tudo que ouviu e viu.  Lara Gonçalves, de 7 anos, era todo sorrisos. “Andei de metrô. Foi muito bom”, alegou-se. Gabriela Nascimento, 8, aprendeu que se deve dar o lugar no trem para quem tem alguma dificuldade de locomoção. E Guilherme Gabriel, de 10 anos, aluno inclusivo da Escola Classe 416 Sul, resumiu, emocionadamente, toda aquela manhã: “Não importa se a pessoa tem ou não alguma dificuldade. Importa é o que ela é, o que pode fazer”.

Existem horas em que não há mais nada a perguntar, diante de uma resposta tão conclusiva e dita por um menino de 10 anos. Que as palavras de Guilherme Gabriel ecoem.

Para saber mais
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pelo movimento social em Encontro Nacional, em 1982, com todas as entidades nacionais. Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o Dia da Árvore numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada através da Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005.

O dia é comemorado e lembrado todos os anos em todos os estados. Serve como reflexão e busca por novos caminhos na luta por inclusão social.  Segundo o IBGE, 14,5%  da população tem algum tipo de deficiência (algo em torno de 24,5 milhões de pessoas). Os direitos dos deficientes estão garantidos na Constituição Federal de 1988, e o Brasil tem uma das legislações mais avançadas sobre os direitos das pessoas com deficiência, para que essas leis saiam do papel, para garantir igualdade para todos os cidadãos.

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