Pelo fim do preconceito

Pelo fim do preconceito
19 set 2016

Mães doadoras de leite promoveram nesta segunda (19) um mamaço em plena Estação Terminal Samambaia. Histórias de solidariedade e compaixão contadas com peitos cheios de leite

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Foto: Alexandre Castro/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 19/09/2016) – Estação Terminal Samambaia, 10h. Gente desembarcando, embarcando. Vaivém. E aquelas mulheres com seus peitos fartos de leite saciando a fome dos seus bebês. E o mais sensacional disso tudo: doando esse leite, que lhes é farto, para bancos de leites do DF.

As pessoas passavam e não entendiam bem. O que era aquilo? Que evento é esse? Que mulheres são essas? Sim, era o mamaço. Algumas das mulheres doadoras de leite materno estavam lá. E levaram seus bebês, com fome de vida, ávidos para mamar.

Helen Aparecida Lopes, de 31 anos, saiu do Recanto da Emas para a Estação Terminal Samambaia. Levou a filha, Mariah, de 7 meses, para o evento marcado. “Meu sobrinho nasceu prematuro e com microcefalia. Precisou de leite materno. E os estoques da república estavam com estoque muito baixo. Ele teve dificuldade para receber o leite. Isso me tocou muito. Como eu tenho muito leite, entrei nessa campanha pela vida”, ela conta.

Além de uma campanha de utilidade pública – para que mais mulheres sejam doadoras – a campanha do mamaço também quer chamar atenção para incentivar a amamentação. Em qualquer lugar, a qualquer tempo, até numa estação de metrô, enquanto se espera o trem.

É essa a mensagem que a Secretaria de Saúde, em parceria com os Bancos de Leite do DF e Postos de Coleta, quer passar para a sociedade de uma forma geral. “É um movimento para conscientizar a população sobre a amamentação e dizer que todo lugar é possível amamentar, sem preconceito”, explica a coordenadora geral dos Bancos de Leite do DF, Miriam Santos.

Débora Ribeiro, chefe do posto de coleta de Samambaia, endossa: “O mamaço é uma campanha de sensibilização, além de incentivar a amamentação, líquido padrão ouro. Não se pode privar a mãe de amamentar o seu filho”.

Liberdade
O gorduchinho e lindo Igor, de apenas dois meses, não quis “conversa” com ninguém.  Só o peito farto de leite da mãe, a professora Lorrayne Janaína Paiva, de 28 anos. Primeiro filho, Lorrayne está maravilhada com o poder do aleitamento. E é uma defensora intransigente da amamentação em qualquer lugar. “A gente não  lancha na praça de alimentação de um shopping? Por que não posso dar o peito pro meu filho?”  Igor agradece. E como!

Paloma Cristina Lopes Damasceno, de 26 anos, é experiente. Murilo, de oito meses, é o seu segundo filho. E só quer saber do leite da mãe. É tanto que ela sacia a fome do bebê e ainda doa para o banco “Eu amamento meu filho em qualquer lugar. Ninguém vai me impedir. Tem lei.”

Tem pai que, além de apoiar o mamaço, também participa. A técnica de enfermagem Joseane Galvão, de 34 anos, chegou acompanhada do marido, Gerson Galvão, 34, técnico em redes. Mãe do segundo filho, Ítalo Emanuel, de três meses, ela pretende amamentar até os seis meses. Juntou licença maternidade e as férias e quer ficar por conta apenas do bebê. “Minha primeira filha, Lara, ficou três anos no peito. Eu gosto de amamentar.”

Gosta e produz leite fartamente. Além de amamentar o filho, ela ainda doa entre 3 a 4 litros vidros de leite por semana ao posto de coleta de Samambaia.

Campanha pela vida
O Mamaço será a abertura para a campanha Doe frascos. Incentive a vida, que arrecadará frascos de vidros com tampa de plástico (maionese, café solúvel etc) para os bancos de leite do DF. A campanha vai durar de 19 a 30/9. Qualquer pessoa que quiser participar pode deixar o seu recipiente em uma das cinco estações, que terão depósitos para recolhimentos: Central, Águas Claras, Relógio, Terminal Samambaia e Ceilândia Centro.

Para saber mais
A expressão “Mamaço” surgiu na França, em 2006, numa reunião de mães que tiveram a ideia de amamentar simultaneamente os seus bebês em um grande encontro nacional e, que originou depois, a Associação Colegiada “La Grande Téttée”.

Aqui no Brasil, em 2012, na comemoração da 20ª Semana Mundial de Aleitamento Materno, o grupo Aleitamento Materno Solidário (AMS Brasil) lançou o desafio para as mães amamentarem os seus bebês, ao mesmo tempo, reunindo assim, todas as mães da Comunidade AMS em todo Brasil e mães brasileiras pelo mundo.

E o desafio passa a ser um grande sucesso. Com mais de 50 cidades participantes e milhares de pessoas envolvidas em todo Brasil e no Mundo, A Hora do Mamaço, neste ano, chega à sua quarta edição.

Uma das conquistas mais importantes desses eventos foi a contribuição para a aprovação da Lei nº 414/2015, que impede que estabelecimentos proíbam mulheres de amamentar em público.

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