Criança precisa ser apenas criança

Criança precisa ser apenas criança
13 jun 2016

Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil é lembrado com balé, capoeira e exposição produzida por crianças de Centros de Convivência. Evento emocionou quem passou na tarde desta segunda-feira (13), na Estação Praça do Relógio  

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Foto: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 13/06/2016) - Na Estação de Ceilândia Norte, enquanto esperava o trem, Marcos Maciel, de 12 anos, jogou, “só de brincaderinha”, capoeira com um amigo do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (ligado à Secretária de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulher e Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh).

Ele foi a um encontro com outras crianças dos outros Centros de Convivência. Nesta segunda (13), é dia de conscientização. E dia de refletir sobre o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Não há exatamente comemoração. É reflexão. E Marcos Maciel, morador de Ceilândia, sabia disso.

Na Estação da Praça do Relógio, mais crianças e cartazes, expostos em uma enorme exposição — no corredor que leva à saída de Taguatinga Sul — e traduz a importância do olhar da própria criança sobre o tema. Marcos Maciel – filho de uma empregada doméstica que assumiu sozinha as funções de pai e mãe – fez um desenho sobre o tema.

“Desenhei um menino pensando em ir para a escola e o pai pedindo que ele fosse lavar louça e fazer trabalhos em casa”, conta. É assim que ele vê a situação. E diz, sem papas na língua: “Criança não é para trabalhar. É pra estudar e brincar e ser feliz”.

No desembarque em Relógio, Renato Ferreira Carvalho Sousa, funcionário da Ouvidoria do Metrô-DF, explicou ás crianças o que elas fariam lá. E qual a importância de estarem ali todas reunidas. E o palhaço Charles Chaplin,  de terno preto e rosto pintado de branco, sem dizer uma só palavra, apenas gestos, encantou a meninada.

E a Estação Praça Relógio lotou. De crianças em número de balée capoeira a pedidos, feitos em desenho, ao direito fundamental à escola,  ao lazer e, sobretudo, ao direito de ser criança, em qualquer lugar do mundo. Anderson Souza, 12, rabiscou crianças trabalhando na roça, de sol a sol, enquanto deveriam estudar. Guilherme Alves, no papel, condenou quem coloca criança para vender bala em semáforo. “Isso não poderia acontecer”, rebate ele.

Multiplicação do pensamento
Para Leide Souza, educadora social que atende há 7 anos crianças no Centro de Convivência de Ceilândia, esse tipo de campanha, que eles desenvolvem todos os anos, é de fundamental importância: “O pensamento da criança muda e ela consegue fazer a multiplicação desse pensamento. Começa a perceber o vizinho, o amigo e a dizer que não está certo quando vê outra criança sendo explorada”.

Milene Santos, de 33 anos, também educadora social, conta que, para a campanha deste ano, as crianças assistiram a filmes e palestras e produziram colagens e cartazes sobre o tema. Todas as dúvidas foram discutidas.

A miudinha Sâmela Heloísa Sousa da Silva, de apenas 9 anos, – que fez questão de dizer que o nome dela era com S e acento (“é porque muita gente esquece o acento, aí não fica Sâmela) – desenhou um catavento, símbolo da campanha de Combate ao Trabalho Infantil. “Foi o que pensei para representar isso tudo. Criança tem ser só criança”, decreta. Sábia, a Sâmela.

Trabalho coletivo
No evento, parceria entre Sedestmidh, SecCriança e Metrô-DF, por meio do Projeto Metrô Solidário, o secretário de Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, Aurélio Araújo, disse que criança “não pode nem deve trabalhar”. E completou: “Essa campanha deve ser permanente, um símbolo de luta contra o trabalho infantil”.

Marcelo Dourado, diretor-presidente do Metrô, endossou: ”Quando o trabalho é coletivo, o resultado é sempre melhor. Hoje é um dia de combate no mundo inteiro. Temos que alertar os pais, às vezes, por ignorância, deixam seus filhos, que podiam estar na escola, trabalharem. Não podemos deixar uma criança deixar de ser criança”.

No fim da solenidade, mais uma apresentação das dez meninas do Instituto Cantinho Girassol. E mais emoção. Em seguida, hora da apresentação “de verdade” da capoeira. E quem estava lá? Ele, de novo, Marcos Maciel, o menino que aprendeu direitinho para que serve ser criança. E quais são os seus direitos universais.

Livre, consciente e cheio de respostas na ponta da língua, o menino jogou com outro amigo. Livre como deve ser toda e qualquer criança, em qualquer lugar do planeta.


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