Duda, uma gigante da própria história

Duda, uma gigante da própria história
27 mai 2016

Programa Qualidade de Vida do Metrô DF levou ao CAO, nesta quarta (25), Maria Eduarda, uma moça de 24 anos que dribla com leveza, bom humor e excepcional lição de vida as deficiências físicas genéticas

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 25/05/2016) - Eram 16h desta quarta (25), quando aquela moça, de calça verde e blusa preta com a frase “Quebrando barreiras” chegou ao Metrô-DF. Empurrada pelo pai na cadeira de rodas, entrou no Auditório do Complexo Administrativo e Operacional (CAO). Ela é pontual.  Havia um monte de gente esperando por ela. Foram ali para ouvi-la. E ela estava disposta a falar. Sempre está. E sempre tem um monte de gente esperando que ela fale alguma coisa. Qualquer coisa.

Para que ficasse mais confortável e todos pudessem vê-la melhor, colocaram-na em cima da enorme mesa do auditório. Promovida pelo Programa Qualidade de Vida do Metrô-DF, a palestra comoveu todos que, por uma hora, decidiram ouvi-la.

Ali, sentada, as pessoas a enxergariam melhor. Mas, afinal, por que tiveram que colocá-la sobre a mesa? Maria Eduarda Soares de Mendonça tem 24 anos, mede 84cm e pesa pouco mais de 29kg. Ela nasceu com uma síndrome genética rara  que a impediu de crescer e enxergar.

Mas tudo isso, em Duda – como é chamada pela família e todos os amigos – é apenas um detalhe. As limitações terminam aí. Duda fez tudo que sempre quis. Realiza sonhos todos os dias e acredita, firmemente, que obstáculos existem para que se rompam.

Ano que vem, Duda se forma em Direito. E quer mais. “Penso em ser procuradora ou juíza. E também pretendo fazer um doutorado fora do país. Quero atuar nos direitos das pessoas que precisam”, diz, com uma certeza impressionante.

Passava das 16h. As pessoas estão no auditório do CAO. Duda começou a falar da vida. Apresentou-se. E, numa habilidade de quem está acostumada a falar para o público em palestras motivacionais e de autoestima, contou a sua vida. Do comecinho.

Manter-se viva
Falou da deficiência física que carrega e logo essa parte estava superada. Contou os planos. E a correria de fazer faculdade e dois estágios. Um na Procuradoria Geral da República – onde concorreu com cinco mil candidatos e foi aprovada – e outro na Defensoria Pública do Guará.

As pessoas ouviram cada frase, sem piscar. Duda seguiu: “Milagres não acontecem da noite pro dia. É preciso que se lute por eles. Emocionada e emocionando toda a platéia, prosseguiu:  “Deficiência não é opção. Não é punição. Não é castigo. Você tem que aprender a conviver com ela e encarar com mais força, mais coragem e mais fé. A vida é um presente de Deus. Não espere o carro do ano, o emprego dos sonhos, a vida sem problemas.  Não existe”.

E alertou, para quem ainda não conseguiu entender: “O maior presente de Deus é hoje, são as pessoas que convivem com a gente, a nossa família, os amigos. Com eles, a gente aprende a amar, a sorrir, a pedir perdão e a perdoar”. Silêncio feito de emoção no auditório do CAO.

Duda falou também sobre direitos e deveres de todos. Da igualdade de direitos e deveres. De ir e vir. “Os problemas diários nos levam a descobrir isso. E a gente precisa ser forte para não desistir. Eu não enxergo, mas sinto. E isso me mantém viva”, reflete.

Duda falou por mais de 40 minutos. Depois, foi a vez de o público fazer perguntas. Todos quiseram saber um pouquinho mais dela. Ela respondeu a todas as indagações. Falou sobre a luta da mulher nos dias atuais. Criticou o machismo e aconselhou que, em caso de agressão ou desrespeito, elas procurem ajuda, não se calem. “A força da mulher está dentro de cada uma de nós”.

E pediu para que todos ali não parassem de sonhar. “O caminho que nos leva ao sonho, às vezes, é mais importante do que o próprio sonho”.

Encerrando a palestra, uma pessoa lhe perguntou qual a sua grande conquista pessoal. Duda respondeu: “É aquela que consigo todo dia. E digo isso a todos vocês. A maior conquista é você mesmo se reconhecer e se dar valor”.

Passava das 17h. As pessoas, comovidas, entreolharam-se. Duda foi ali para falar de vida. E deu um show. Essa moça de apenas 84cm, que nada enxerga, tornou-se gigante. Iluminou, de verdade, aquele auditório. E fez cada um que ali esteve pensar – ou repensar – a própria vida. Duda é um ser humano absolutamente real. E tudo que é real faz um bem enorme à alma. Privilegiado quem pode escutá-la.

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