Todo o atraso foi perdoado

Todo o atraso foi perdoado
02 mai 2016

Dia Internacional da Dança foi comemorado nesta sexta (29), com um festival de atrações, nas Estações Central e Relógio. Usuários esqueceram até os compromissos para assistir às apresentações
Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 29/04/2016) - O recipiente de plástico, cheio de quebra-queixo e cocada, ficou o tempo todo nos braços dele. E os olhos dele, extasiados, miravam aquela gente dançando. Nunca, em tempo algum, ele havia se dado conta de que poderia, no meio daquele estação lotada, num vaivém incessante, haver tanta beleza em movimentos. Às vezes, nos lugares mais improváveis estão as melhores surpresas. Ele descobriu isso usando todos os sentidos.

Nesta sexta-feira (20/04), David Pires, de 19 anos, vendedor de cocadas e quebra-queixo na plataforma superior da Rodoviária, encontrou-se com a arte em forma de dança. “É muito bonito. Eu nunca tinha assistido assim, tão de perto”, disse, emocionado, o rapaz de Águas Lindas (GO). As cocadas, hoje, puderam esperar. Ele se permitiu. E foi a melhor coisa que fez por si mesmo.

Assim, de forma comovente, o Dia Internacional da Dança foi celebrado nesta sexta, na Estação Central do Metrô-DF (Rodoviária do Plano Piloto). Um festival de apresentações povoou a estação. Teve frevo, maracatu, dança do coco. Teve balé. Teve a leveza da dança inclusiva, com bailarina em cadeira de rodas. Teve dança contemporânea. Teve discoteca. Teve arte. Mas, sobretudo, teve emoção. Muita emoção.

Quem embarcou ou desembarcou na Estação foi surpreendido pelas atrações do evento – promovido pelo Metrô em parceria com o Fórum de Dança do DF e Entorno. E, mesmo na pressa, parou para dar uma espiada. Não havia como não parar. O vendedor de cocada esqueceu-se do tempo. A bancária se permitiu atrasar por uns 15 minutos. “Meu chefe vai compreender. Arte não é pecado nem merece castigo”, brincou.

Libertação
A mulher tatuada, mesmo em cima da hora para uma entrevista de emprego, arriscou uns passos quando começou a tocar a clássica I will survive (Eu vou sobreviver), de Gloria Gaynor, rainha da discoteca. E assim, cada um ali, ao seu modo, justificou a si mesmo o motivo de ter parado e o bendito atraso.

Um dos momentos mais bacanas das atrações da manhã foi promovido pela Companhia de Dança Rodrigo Cruz, bailarino e empregado do Metrô. Seis bailarinas e ele contaram, por meio de expressões corporais, a luta pela sobrevivência em momentos áridos. Como fundo musical, a belíssima It´s a long way, de Caetano Veloso (É um longo caminho). “Os olhos da cobra verde hoje foi que arreparei; se arreparasse há mais tempo, não amava quem amei.”

Outro ponto comovente das atrações foi a apresentação do Grupo Asas para Dançar. Três dançarinas em cena, uma delas a cadeirante Sabrina de Souza, de 29 anos, moradora de Samambaia. Até os 20 anos, Sabrina levava uma vida normal. Uma grave e irreversível distrofia muscular tirou-lhe a força das pernas e braços. E ela, para se reinventar, decidiu dançar na cadeira de rodas, suas pernas emprestadas. “Eu nunca tinha dançado, nem quando andava. Foi a minha libertação. Eu me sinto livre”, disse ela, com os olhos marejados.

“Faz bem pros olhos”
Pela Estação Central, ainda na parte da manhã, passaram nomes que fizeram e fazem a história da dança na capital. As bailarinas Gisele Santoro e Regina Maura, que escreveram – e continuam escrevendo – cada capítulo do balé da cidade. O gaúcho do frevo na terra de JK, o grande e incansável Jorge Marino, que, aos 74 anos, dança como menino. E a bailarina Mônica Melo, diretora do Fórum de Dança do DF e Entorno.

Também prestigiaram o Dia Internacional da Dança a subsecretária de Cultura do DF, Marina Ribeiro, e o presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado. “Dança é saúde. Por isso, cada um se ajeita e dança da forma que se sente melhor”, aconselhou Dourado.

Nessa hora Jorge Marino, o “menino” do frevo, convidou todo mundo para dançar ao som de Gilberto Gil: “Eu estava na beira da praia, ouvindo as pancadas das águas do mar. Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”. Todo mundo cirandou. E todo mundo descobriu como é bom cirandar.

Passava do meio-dia e meia, hora do almoço. Almoço? Pra quê? Ednair Lopes, de 35 anos, faxineira lotada na Estação Central, nem quis saber de comer. Pegou seu celular e foi fazer fotos das apresentações da discoteca. Num cantinho, ouvindo a batida dos anos 1970, ela balançava o pé e se remexia. Na mão, as fotos para postar na sua página do Facebook. “Faz bem pros olhos ver tanta coisa boa”, alegrou-se a moradora de Taguatinga, que limpa o chão para que outros pisem.

E foi assim, com muita ginga e música boa, que o Dia Internacional da Dança foi celebrado na Estação Central e na Praça do Relógio – lá com os bailarinos da Companhia Noara Beltrami. Foi uma festa. Um acontecimento. Ganhou cada usuário que por ali passou e se esqueceu do relógio. Mesmo por alguns minutos.

Ganhou David, o vendedor de cocadas e de quebra-queixo de Águas Lindas, que se emocionou com tanta arte. Mesmo que ninguém tivesse parado, só ele, este 29 de abril já teria valido a pena. As cocadas puderam esperar. Foi, certamente, o melhor atraso de sua vida.

Confira a galeria de fotos do Dia Internacional da Dança, na Estação Central

Dia Internacional da Dança da Unesco

 

Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
E-mail: imprensa.metrodf@gmail.com
Telefone: (61) 3353-7077/9285-7346

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