As muitas formas de ouvir

As muitas formas de ouvir
28 abr 2016

Crianças surdas do Centro de Ensino Bilíngue de Taguatinga fizeram, nesta quinta (29), uma viagem carregada de emoção e descobertas pelos trilhos do Metrô

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 28/04/2016) - Alguns, de tão eufóricos, mal dormiram na noite anterior. Outros pularam da cama cedo. A manhã desta quinta-feira (28) seria muito especial. Nem ligaram para o frio de 16 graus e o céu cinzento. Eles iriam embarcar no Metrô para uma viagem de sonhos. Muitos deles, moradores de Águas Lindas e Recanto das Emas, nunca tinham entrado numa estação. Tampouco visto o metrô de perto.

A viagem, de ida e volta, começou na Estação do Centro Metropolitano, em Ceilândia, até a 112 Sul. E lá estavam eles, os 20 alunos, de 7 a 12 anos, do 1º ao 5º ano, do Centro de Ensino Bilíngue de Taguatinga. Todos surdos e com uma avidez comovente para perceber o mundo e a vida. Melhor do que muito ouvinte que, mesmo escutando perfeitamente, ainda não consegue perceber o mundo e a vida que o cercam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Antes de embarcarem no trem que os levaria à 112 Sul, eles aprenderam, com o apoio das professoras tradutoras – uma delas é  surda – e do personagem Charles Chaplin, encenado por Alexandre Castro, funcionário do Metrô, as explicações sobre o funcionamento de todo o sistema e acessibilidade.

O Chaplin causou sensação entre a garotada. Foi um dos grandes momentos lúdicos do passeio – realizado em parceria com o Metrô-DF,  a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília Limitada (TCB) e a Secretaria de Educação, por meio da Diretoria de Ensino Especial.

Bruna Vieira, da Ouvidoria, falou sobre as questões de segurança que todo usuário deve ter ao embarcar numa estação e a função de cada funcionário – do agente de estação ao piloto. Os meninos e as meninas, de olhos arregalados, prestaram bastante atenção. Explicações dadas, hora do grande embarque. Afinal, foi por esse momento que muitos mal dormiram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

E lá se foram eles, no carro exclusivo, com as professoras, com Charles Chaplin e com todo o apoio de que precisavam. Virou festa. As mulheres que viajam no mesmo carro logo entenderam que eram crianças especiais. Maicon Alves, de 11 anos, não parou quieto. Jamile, 8, cutucava a amiga para mostrar um ou outro detalhe da vida que passava fora do trem. A professora Francisca Boaventura, de 48 anos, era só emoção: “O nosso aluno é respeitado dentro da língua dele, do mundo dele. Essa é melhor inclusão”.

Felicidade estampada
O trem seguiu. Entrou no túnel em direção à Estação 112 sul. Os meninos e as meninas continuavam eufóricos. Era muita informação para tanta cabecinha que descobre o mundo, mesmo com toda a limitação. Eduardo, 9, falou alguma coisa com o amigo do lado. Libras é uma língua cheia de sinais e expressões faciais muito próprios. E eles se entendem de uma forma comovente.

A pequena e serelepe Laysa, 7, emendou uma conversa atrás da outra com uma amiguinha. “É muito divertido andar de Metrô”, disse ela, às gargalhadas, com a ajuda da tradutora.
Às 10h20, o trem chegou à 112 Sul, Estação Cidadania. Lá, os pequenos heróis foram recebidos pelo coordenador de Promoção de Direitos de Pessoas com Deficiência do Distrito Federal (Promodef), Paulo Beck.

Cadeirante, com ajuda das intérpretes, Beck falou sobre as necessidades especiais de cada um. Ele escuta, mas precisa da cadeira de rodas. As crianças podem correr, pular, mas precisam de sinais próprios para estabelecer uma comunicação. “Cada um com as suas diferenças e aqui a gente luta pelos nossos direitos e respeito”, disse.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Alguém como eles
A gerente dos Intérpretes de Libras, Mariana Caputo, que trabalha na Promodef e também é surda, saudou os alunos do Centro de Ensino Bilíngue. Na linguagem de sinais, ela falou de cidadania, direitos e superação. Eles ficaram boquiabertos. Alguém que eles nunca tinham visto também falava a língua deles.

Às 11h10, hora de fazer o caminho de volta até a Estação Centro Metropolitano. De novo, no carro exclusivo. De novo, mais alegria. Sonho realizado. Eles são surdos, mas o barulho provocado pela emoção que cada um sentiu causou um estrondo enorme. A surdez virou apenas um detalhe sem importância na vida deles. Eles provaram, hoje, para quem estava naquele trem e viu a animação, que há muitas maneiras de ouvir o que realmente se deseja escutar.

 

Confira a galeria de fotos do passeio:

Crianças com deficiências conhecem o Metrô-DF

 

Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
E-mail: imprensa.metrodf@gmail.com
Telefone: (61) 3353-7077/9285-7346

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>