A música onde o povo está

11 dez 2015

Regulamento do Metrô-DF normatiza os espaços de todas as atividades culturais nas estações. Músicos agora podem tocar livremente sem ter que deixar o lugar por algum contratempo

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 11/12/2015) - Depois de quase um ano de estudos, com avaliação e sugestões de todas as diretorias – e a pedido dos próprios músicos, que já tocavam nos espaços – ficou pronto o regulamento que normatiza todas as atividades culturais nas estações do Metrô-DF.

Agora, apresentar a sua arte, ficou muito mais fácil. E ninguém nunca mais correrá o risco de, por falta de comunicação ou algum ruído, ter que ser convidado a deixar o lugar – cenas muito comuns tempos atrás.

A arte precisa ser livre. E o artista, como dizia o poeta, tem de ir onde o povo está. E não há palco melhor do que uma estação de trem. É nesse vaivém de gente e histórias que a vida pede passagem. Como a vida, a arte se renova e cria novas possibilidades.

O músico João Filho, de 45 anos, comemorou o regulamento, o primeiro do Metrô-DF. Para ele, é uma grande oportunidade para qualquer artista de rua, sem discriminação, mostrar o seu trabalho. “Estou lutando por um conceito. Por isso, considero uma grande conquista que o Metrô de Brasília tenha aberto esse espaço pra todos nós”, ele diz.

João toca saxofone. Onde há um espaço público, lá está ele. Em asilos, hospitais, na rua, numa esquina. Foi assim que conseguiu, há três anos, a maior glória de sua vida como saxofonista. Tocou com Stevie Wonder, numa comercial da Asa Sul, na porta de uma confeitaria.

Ele sabia que o astro americano estava em Brasília para um show – Stevie fazia uma turnê brasileira. Foi até a comercial e esperou a saída de Stevie. Ao se aproximar, os seguranças quiseram barrá-lo. Stevie pediu que João se aproximasse. João tocou Garota de Ipanema e Wave. Stevie o acompanhou na gaita. Foi um momento único. João virou notícia no país inteiro.

Hoje, ele toca na Estação Central e em Galeria. “Esse espaço é para o artista de rua. Quem quiser venha. É a vitrine que temos, pelo menos, de mostrarmos o nosso trabalho. Não vou mais chegar em casa e dizer para a minha filha de 7 anos que o pai dele foi convidado a se retirar da estação”, comemora João.

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“Revolução humana”
O músico Fabrício Ferreira, de 75 anos, é um herói da própria história. Piauiense de nascimento, morou em Curitiba, mas, em 1960, seis meses depois da inauguração, chegou a Brasília. “Fui trocador de ônibus, trabalhei no Hospital de Base, fui professor de português e me aposentei como escrivão de polícia. Hoje, sou músico autodidata”, enumera, envaidecido.

Há sete anos, Fabrício toca o seu sax pelas ruas de Brasília. A Estação Central é o seu melhor endereço. “Houve vezes em que fui convidado, rispidamente, a deixar o lugar. Faltava sensibilidade por parte de alguns funcionários. Agora, com o regulamento, o Metrô de Brasília nos legitima a mostrar a nossa arte, a nossa música”, analisa o músico.

Na tarde desta sexta-feira (11/12), João e Fabrício aceitaram fazer um encontro musical na Estação Galeria – a primeira adesivada como parte do plano de comercialização dos espaços publicitários do Metrô-DF, já em vigor.

Em Galeria, o cliente é o Ministério do Turismo. O cenário – cheio de cachoeiras – convida o usuário a uma grande viagem. Ao som de Trem das Onze, Fascinação, Luísa, O mundo é um moinho, Desafinado e Chega de saudade, as pessoas que embarcavam e desembarcavam ficavam surpresas com a paisagem e a música.

Praticante do budismo, Fabrício diz que a função dele aqui como músico é promover o ser humano pela música que saí do seu instrumento, “independente se tem remuneração ou não”.

No vaivém de gente, no caos do dia a dia, no meio do caminho, há a música. Isso, de alguma forma, faz toda a diferença. Mesmo que seja por alguns minutos, numa estação de metrô. Assim, dessa mesma forma, obedecendo ao mesmo regulamento e proposta, funcionam os metrôs de São Paulo, de Nova York, de Paris e de outras cidades no país e mundo afora.

João, que entendeu a importância de levar sua arte para onde tem gente, definiu bem a ação: “É uma conquista pra nós, artistas de rua. É para quem quer mostrar o seu trabalho e gosta da arte que faz”.

Na próxima estação, pode haver sempre uma grande surpresa.

Serviço:
Confira o regulamento e faça o download da ficha de inscrição em http://www.metro.df.gov.br/cultura2/

Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
E-mail: imprensa.metrodf@gmail.com
Telefone: (61) 3353-7077/9285-7346

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