A diferença está em quem vê

A diferença está em quem vê
03 dez 2015

Nesta quinta (3/12), Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, alunos do Centro de Ensino Especial 1, na 912 Sul, fizeram uma divertida viagem de Metrô. A emoção marcou todo o passeio

Texto: Marcelo Abreu/AScom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

(Brasília, 03/12/2015) - Eles chegaram fazendo o maior barulho. Estavam animadíssimos. As sete professoras bem que tentaram segurá-los. Bobagem. A emoção era muito maior. Por volta das 15h30, eles desembarcaram na Estação 112 Sul. E iriam fazer, para a maioria deles, a viagem mais inesquecível de suas vidas. Iriam andar de metrô, “aquela coisa que corre sobre trilhos e leva um monte de gente”, como disse um deles, pela primeira vez.

São 18 alunos. A idade aqui pouco importa. É o que menos conta para essa gente mais do que especial. O que realmente vale é a emoção de cada um. São todos do Centro de Ensino Especial 1, na 912 Sul. São rapazes e moças que, por alguma razão, a ciência neurológica os enquadrou como “pessoas com necessidades especiais”. Na verdade, diferente é apenas um conceito. Diferente é quem os enxerga.

Na alegria de Giulia Larcher, de 15 anos, vem a certeza de que tudo não passa de um detalhe: “Meu nome é Giulia, com G, viu? Giulia”, repete ela, reparando o rascunho indecifrável de quem lhe perguntou, para ver se iria escrever direito. E prosseguiu: “Meu pai trabalha no Metrô. Eu gosto de vir ao trabalho dele.” Giulia era a personificação da alegria.

Hora da viagem. Cinco funcionários do Metrô ajudaram na condução dos alunos. Todos os alunos e professores embarcaram no carro especial, o destinado às mulheres. E lá a farra estava apenas começando. Henrique Soares, de 30 anos, morador de Águas Claras, dividiu um banco com a amiga, Sophia Fortes Rodrigues, 16, da Asa Sul. Ela, toda vaidosa, não parou de ajeitar o cabelo, principalmente quando via uma câmera fotográfica.

Da janela, assim que o trem saiu do túnel, Sophia e Henrique admiraram a paisagem. Conversaram. Ela confidenciou: “A gente briga um pouco, mas ele é meu amigo”. Ele consentiu. E riu com a cumplicidade de quem sente afeto.

O trem seguiu. A professora Ana Cláudia Ribeiro, 50, animou os alunos: “Gente, agora vamos passar pelo shopping”. Gritaria e palmas invadiram o carro especial. Era também a primeira vez em que a professora andava de metrô. “Sou de São Paulo e estou aqui há três anos. Lá, era o meu meio de transporte. Aqui, moro no Noroeste e não tenho como pegar. Tá sendo uma experiência maravilhosa”.

Alexandre Castro, funcionário do Metrô e ex-conselheiro de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coddede), incorporou o palhaço Carlitos, de Charles Chaplin. Fez ainda maior a alegria dos viajantes.

Sem parar
A cada estação, em cada parada, eles comemoraram. Mas o trem precisou seguir. Henrique e Sophia, de olhos arregalados na janela, continuaram admirando a paisagem. Tudo lhes era muito novo. A professora Sônia Mesquita, de 58 anos, falou da importância desta tarde para os alunos: “Muitos não têm a oportunidade de andar de metrô, por vários motivos. Essa é a verdadeira socialização e inclusão”.

Mais alguns embarques e desembarques. Hora de lanchar. Momento tão esperado. Na Estação de Ceilândia Centro, eles desceram um pouquinho. Um pedaço de bolo de chocolate, uma maçã e um suco, preparados pela direção da escola, esperavam por eles. Mais descontração e alegria. Mais conversas. A professora Ana Cláudia, diante de tanta história de vida, comentou: “Se você tiver algum problema, faz uma visita à escola. Você sairá de lá outra pessoa. A gente é que ganha. Não tem preço”.

Seus alunos não ouviram. Não era pra ouvir mesmo. Na tarde desta quinta-feira, um tanto de rapaz e moça embarcou na Estação da 112 Sul até Ceilândia. Foi e voltou. Alguém, conceitualmente, um dia, os definiu como especiais? Especiais? Quem consegue, todo dia, mesmo com limitações, se superar é mais do que especial. É superespecial.

O metrô, diariamente, carrega e coleciona um tanto de histórias. Hoje, certamente, escreveu mais um capítulo. Talvez um dos seus melhores. Tudo que faz sonhar e transformar só pode ser mesmo especial. Diferente, portanto, é uma questão de interpretação. Henrique, Sophia e Giulia são a certeza disso.

 

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Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
E-mail: imprensa.metrodf@gmail.com
Telefone: (61) 3353-7077/9285-7346

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