Cabelo para transformar vidas

Cabelo para transformar vidas
18 nov 2015

Rede Feminina de Combate ao Câncer recebeu, na tarde desta terça (17/11), as mechas da Campanha Corte e Compartilhe

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Foto: Ascom/Metrô-DF

Vinte e um dia depois da campanha de doação Corte e Compartilhe, as mechas foram entregues à Rede Feminina de Combate ao Câncer, no Hospital de Base. Ao todo, foram arrecadadas 311 mechas, que vão virar cerca de 50 perucas, dos mais diferentes tipos de cabelos, cores e tamanhos. Mais do que uma campanha, foi uma verdadeira avalanche de solidariedade.

Ainda que as mechas tivessem dado para fazer apenas uma única peruca, uma só, já teria valido a pena toda a campanha. A equipe do Hélio Cabeleireiros e os alunos do Centro de Formação Profissional Hélio, literalmente, arregaçaram as mangas dos aventais pretos e, por quatro dias, estiveram na Estação Central (na Rodoviária do Plano Piloto).

Cortaram cabelos de quem por ali passou. Mulheres, homens, crianças. Cada um doou o que pôde. E logo mechas e mechas iam se juntando. Ontem, naquela salinha da Rede Feminina, com paredes rosa, uma caixa cheia de cabelo, era o retrato da solidariedade. Gente, até que se prove o contrário, foi feita pra isso.

Tânia Alves Pinto, de 56 anos, quatro filhos, uma neta — uma das voluntárias responsáveis pela confecção das perucas —  era só contentamento. “Me sinto realizada fazendo esse trabalho. Eu precisava fazer parte de algum movimento como esse”, disse, emocionada.

As perucas serão doadas às mulheres que lutam contra o câncer e estão em tratamento no Hospital de Base. É uma forma de resgatar a autoestima diante de um momento tão frágil de suas vidas. “Elas choram ao se verem no espelho, com o cabelo para escovar”, contou Tânia.

Fortalecimento
Participaram da entrega das mechas a primeira-dama de Brasília, Márcia Rollemberg, o presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado e duas alunas da equipe do Hélio. Comovida entre aquelas mulheres, Márcia ressaltou a importância do trabalho e da regulamentação do voluntariado. “Precisamos trabalhar com redes solidárias. Essa parceria deve ser permanente”, disse a primeira-dama.

Marcelo Dourado agradeceu a participação de todas as pessoas envolvidas na campanha. “À equipe do Metrô, ao Hélio e sua turma, à incansável Maria Paula (atriz, que participa ativamente de causas sociais em Brasília) e à Márcia, que abraçou a campanha imediatamente”.

No fim da entrega, a voluntária Renata Luz, que há 13 anos se dedica a esse trabalho, encheu os olhos de lágrimas: “Não tem preço ver um sorriso em cada uma dessas mulheres”. E não tem mais dúvida: “Somos nós as que mais ganhamos. Agradeço todo dia a chance de poder ajudar as pessoas”.
As perucas serão entregues no dia 4 de dezembro, às 8h, no ambulatório do Hospital de Base, corredor 5. Mulheres que perderam seus cabelos na luta contra a doença irão se enxergar no espelho com cabelos emprestados. Vão se sentir bonitas, cheias de viço. E isso pode ter um efeito arrebatador nas suas vidas e na condução do tratamento.

Mais do que isso: a certeza de que tudo pode continuar, até mesmo quando o imponderável surge no meio do caminho. Essa história, do começo ao fim, é muito boa. É boa por uma única razão: ela faz gente – quem dá e quem recebe – se reinventar.

 

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