Rebeca, tão miudinha, já aprendeu a viver

Rebeca, tão miudinha, já aprendeu a viver
28 out 2015

No quarto e último dia da campanha, as histórias emocionantes não cessaram. Uma menina de apenas 5 anos roubou a cena e deu um verdadeiro exemplo de solidariedade

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF
Fotos: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF

No quarto e último dia da campanha Corte & Compartilhe, as mulheres aderiram ao apelo da solidariedade. E foram doar mechas de cabelos para mulheres que travam a difícil luta contra o câncer. Desde o começo da tarde, filas se formaram na Estação Central (Rodoviária do Plano Piloto) para o início dos cortes.

Elas chegaram animadas. Algumas saíram de longe. Outras pediram dispensa no trabalho. Algumas tiveram um trabalho danado para convencer chefe e patroas. Valeu qualquer coisa. Vieram de metrô, de ônibus, a pé. Cada um deu um jeito. O importante era chegar. Senhas foram distribuídas. E os cortes começaram. No vaivém de gente, a beleza deu lugar à mais louvável das virtudes: a compaixão pelo outro. Cena vez mais rara hoje em dia.

Uma equipe de 20 alunos do Centro de Formação Profissional Hélio, do Instituto de Beleza Hélio, caprichou nas tesouradas. Mulheres de todas as idades sentaram-se e esperaram o novo visual que sairia das mãos dos cabeleireiros.

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Rebeca, com a mãe Joelane Bittencourt: doação “paras as crianças que não têm cabelo por causa daquela doença feia”

No meio das mais de 50 mulheres que cortaram o cabelo nesta terça-feira (27/10), uma menininha roubou a cena. Rebeca Alves Bittencourt, de 5 anos, deu um show de solidariedade e desprendimento. Saiu de Taguatinga Sul com a mãe, Joelane Bittencourt, 33, com um único propósito: doar.

Durante um ano, Rebeca deixou o cabelo crescer. E disse à mãe que era para dar “paras as crianças que não têm cabelo por causa daquela doença feia”. E pediu que a levasse até a Estação Central. A mãe atendeu ao seu pedido. Toda animada, Rebeca cortou o cabelo e vibrou quando segurou as mechas nas suas mãos.

Depois, com novo visual, a espevitadinha disse, dona de si: “Ele vai crescer de novo”. Rebeca, aos 5 anos, tão miudinha, já aprendeu o sentido da vida. Belo exemplo. Todos ali se emocionaram.

Persistência
Passava das 18h. Hora do rush. Estação lotada. Embarque e desembarque. Três moças apresentavam a dança do ventre. Os marmanjos que passaram pelo local adoraram. Sacaram logo os celulares para registrar a cena. A banda Metrobala, formada por funcionários do Metrô, tocou e cantou o melhor da MPB. Em meio a tanta animação, as tesouras não pararam de trabalhar. De cacho em cacho, a solidariedade aumentava.

Fernanda de Matos, 15 anos: “Minha bisavó morreu de câncer de mama. Ela queria muito me conhecer, mas morreu antes do meu nascimento”

Fernanda de Matos, de 15 anos, saiu do Setor de Chácaras do Guará, pegou um ônibus e chegou à Rodoviária. Ela foi determinada a cortar os enormes cabelos loiros e cacheados. Esperou a sua vez. E cortou.

O desejo de Fernanda tinha uma história por trás: “Minha bisavó morreu de câncer de mama. Ela queria muito me conhecer, mas morreu antes do meu nascimento. Eu soube e decidi fazer alguma coisa pra ajudar quem enfrenta essa doença”.

Persistência. Foi a palavra de ordem da auxiliar Cleudiane Melo, de 32 anos, moradora do Riacho Fundo. Ela achou que o evento seria pela manhã. Às 9h, estava na Rodoviária. Ao chegar, foi informada de que começaria no fim da tarde.

Ela correu para o trabalho, no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Contou as horas no relógio. Combinou com a chefia imediata. Disse que depois compensaria. E, pela segunda vez, correu para a Estação Central. “Eu vim porque tem gente que precisa dessa ação. Tô tentando fazer minha parte”. O tempo de espera foi compensando por um belo corte.

Cleudiane Melo, de 32 anos (E): “Eu vim porque tem gente que precisa dessa ação. Tô tentando fazer minha parte”

Cleudiane Melo, de 32 anos (E): “Eu vim porque tem gente que precisa dessa ação. Tô tentando fazer minha parte”

Por volta das 20h, o evento se encerrou. Cabeleireiros cansados, mas realizados. Mulheres, com novo visual, sentiram-se mais bonitas, sobretudo pela possibilidade de poder ajudar diante de uma causa nobre.

A miudinha Rebeca era todo sorrisos. Na escolinha, todos vão notar o seu novo cabelo. E ela dirá aos amiguinhos por que cortou. Vai falar sobre ajudar as pessoas. Eles certamente ouvirão o que ela tem para contar.

Solidariedade começa assim: alguém conta uma boa história e tantos outros ouvem. Ação positiva causa um estrondoso efeito dominó. Ano que vem tem mais.

Mais informações:
Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF)
Assessoria de Comunicação
Telefones: // 9285-7346

Confira a nossa galeria de fotos
Encerramento da campanha "Corte & Compartilhe"

 

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